nos últimos dias recebi algumas mensagens: queriam saber se eles comem tudo o que lhes dou, como é que os faço provar coisas novas, se a hora da refeição não é uma luta que acaba em gritos e lágrimas. nunca dei dicas deste género por aqui: como amamentar, o que lhes vestir, o que eles devem comer. essa nunca foi a intenção deste blogue e eu não posso ensinar muito se ainda estou também eu a aprender. hoje também não vou ensinar nada, vou só contar como faço as coisas por aqui. isto é o que funciona para nós e acho que o segredo é esse: é descobrir o que funciona melhor, o que resulta para a família. eles comem a maior parte das coisas que eu lhes dou, sim. e a hora da refeição não é uma luta. mas, e sei que isto parece errado em muitos sentidos, nós não nos sentamos à mesa todos juntos, todos os dias. e funciona para nós. reduz as frustrações de todos. ele trabalha por turnos, mas a maior parte das vezes está em casa para jantar e, talvez 3 a 4 vezes por semana, comemos todos juntos, sentados à mesa.
de manhã, depois de fazermos as actividades em casa, levo-os à rua. se o sol nos estiver a aquecer enquanto eles correm pelo parque deixo-os ficar até o sino tocar. ao meio-dia voltamos para casa. raramente faço almoço, só junto coisas. se por alguma razão lhes sirvo o que sobrou do jantar do dia anterior a maria pergunta-me logo porque é que estamos a comer "papa" àquela hora. ao almoço dou-lhes sandes, fruta, legumes, queijo. ou sopa e fruta. o miguel gosta muito de sopa, a maria nem por isso mas come na mesma. às vezes ela pede para almoçar papas de aveia com canela. iogurte com muesli. eles comem sozinhos, levam o tempo deles. isto significa que o almoço me dá quase uma hora livre: arrumo, limpo, organizo. ou bebo um café, tiro o meu tempo: sento-me. às vezes deixo-os a conversar um com o outro, às vezes ligo a televisão. deixo-os trocar entre eles as coisas que preferem, eles comem com as mãos: a fruta primeiro, os legumes depois, como preferirem. não os deixo atirar comida para o chão de propósito, não os deixo dizer que a comida é porcaria. estabeleço os meus limites, escolho as minhas lutas. é esta a melhor forma de os educar? não sei, mas eles comem tudo, ninguém chora: funciona para mim.
à noite comemos com o pai: às vezes pizza, sentados no sofá a ver o shrek. às vezes eles primeiro, nós depois. às vezes comemos jardineira, almôndegas caseiras, peixe grelhado: à mesa, todos juntos. às vezes, sim, o miguel quer sair, a maria não gosta da carne e mastiga-a até a cuspir. nunca insisto, não os obrigo a comer. conto até 10. às vezes acontece. a maior parte das vezes aproveitamos só a oportunidade de comer todos juntos, de mesa posta.
em relação ao que eles comem sou tão flexível como sou com o resto: dou-lhes fruta, legumes frescos, sushi, lentilhas, quinoa e bulgur. também já os levei ao macdonald's. nunca lhes dei marisco, comemos carne poucas vezes por semana. faz-nos bem à saúde e conseguimos poupar mais. eles comem melhor ao almoço. quase todos os alimentos novos que provam são os que sirvo no tabuleiro: sozinhos, sem pressão. ao jantar quanto mais simples melhor: puré de batata com fiambre, massa cozida com esparregado, canja [com arroz] são alguns dos pratos preferidos deles. espero que o que escrevi responda às vossas perguntas. as crianças não são todas iguais. e esta não é certamente a melhor maneira, mas é a nossa.