ontem foi um dia especial. diferente.
quando criei este blogue tinha apenas um objectivo: partilhar. partilhar com vocês, partilhar tudo com eles, um dia mais tarde. no dia que partilhei a história da maria, que num acto espontâneo de generosidade deu o seu único bebé com cabelo, aconteceu: comecei a receber convites, ofertas. aceitei três prendas para os meus filhos: percebi pelas palavras que me escreviam que era importante para quem me as oferecia eu aceitar. recusei todas as outras: roupas caras que eu não lhes visto, coisas que eu não preciso, sítios onde não me iria sentir confortável. a semana passada recebi outro convite: dormir com os meus filhos num hotel de 4 estrelas com direito a bilhetes para o jardim zoológico e acesso aos bastidores para conhecerem os golfinhos. perguntei-lhes o que precisava de fazer em troca. se precisava de pagar alguma coisa. se precisava fazer publicidade. eles disseram: nada. só ir. levei alguns dias para lhes responder. e depois pensei: podia eu dar-lhes esta oportunidade um dia? provavelmente não. e foi por isso que, humildemente, eu aceitei. a maria e o miguel estavam ansiosos por irem ao zoo. eu e ele ansiosos por tomar banho numa banheira: temos um quadrado que é tão pequeno. a minha mãe riu-se quando lhe liguei a perguntar se precisava levar toalhas. descobri mais tarde que também não precisava de ter levado o secador de cabelo. vi a cara deles: foi a primeira vez que entraram num hotel de 4 estrelas. foi a primeira vez que eu dormi num. era bonito. foi divertido vê-los admirados com tudo: com cartões que abriam portas, com uma televisão fininha pendurada na parede, com um corredor tão comprido, com um elevador que tinha música. aquela vista de um 9º andar para uma lisboa cheia de luzes, tão diferente do nosso rés-do-chão.
e depois dormimos: todos na mesma cama.
este ano não tivemos direito a férias: aquela noite disse à maria que estávamos de férias. ela sorriu. ela passou o verão todo a pedir férias: ela pedia sempre que eu dizia que os amigos não estavam no parque porque tinham ido de férias. eu também quero ir, dizia ela.
eu não tomei o tal banho de imersão: tomei um duche rápido enquanto o miguel dava gargalhadas escondido num roupeiro vazio. a maria ficou encantada com tudo o que era pequenino. perguntou-me se podia ficar com ele e eu disse que sim. ela olhou para mim de olhos bem abertos e perguntou: a sério? ela tinha as duas mãos juntas e no meio lá estava ele: aquele sabonete tão pequenino. durante o pequeno-almoço dei-lhe um pacote pequenino de marmelada, um frasco pequenino de doce de morango: ela sorriu e guardou-os no bolso. como tesouros.
fiquei feliz por ter dito que sim, que aceitava. às vezes digo que não porque acho que me vou sentir a mais: eu, de calças de ganga e t-shirt velha. com cabelo frisado e sobrancelhas por arranjar. digo que não: não a jantares com amigas, a fotografias com muita luz, a sítios que não sejam a minha casa. perco oportunidades. fiquei feliz por ter dito que sim: por lhes ter dado esta oportunidade. fiquei feliz quando a maria tocou naquele golfinho e se virou para mim: ela tinha o sorriso mais bonito. ela estava feliz: tão feliz. o miguel viu as girafas, os macacos e os elefantes: ele disse muitas vezes que estava feliz. e ele ficou feliz com ovos e bacon para o pequeno-almoço.
pensei se devia escrever isto aqui: a tal publicidade que chateia. não tinha de o fazer. mas ontem foi um dia especial e era isso que eu queria partilhar. só isso: estas palavras, estas imagens. foi um dia especial para eles. por isso vou agradecer, só desta vez, ao novotel: obrigado, por todos os sorrisos. foi um bom dia. especial: como um sabonete pequenino que hoje encontrei escondido debaixo da cama. sei que ela vai guardá-lo para sempre. como um tesouro das nossas férias.