domingo, 14 de setembro de 2014

escola em casa.


estas foram algumas das actividades que fizemos esta semana. o dia em que eles aprenderam mais sobre emoções foi o mais divertido, mas houve pequenas actividades que a maria gostou de fazer, como passar um atacador à volta de uma imagem ou afiar lápis. às vezes pergunto-lhes ao que é que querem brincar e ela responde "à escola." ele concorda. é bom sinal, acho que se têm divertido. aprendido também: hoje fez uma ficha, as curvas ficaram melhores que da última vez e ela disse: o pai vai ficar tão orgulhoso. ela aprendeu: orgulho. é engraçado como às vezes parece que ela nem me está a ouvir, parece que está longe. mas ela ouve. as crianças ouvem tudo, absorvem tudo. esse, para mim, é na verdade um dos grandes desafios da maternidade: porque às vezes digo coisas que não quero que eles ouçam. e eles parecem que estão longe até as repetirem. mas hoje fiquei orgulhosa: das curvas perfeitas, da palavra certa. já valeu a pena.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

escola em casa.


há dois dias eles aprenderam mais sobre emoções. identificaram imagens: o miguel acertou logo no zangado. usámos um espelho para verem as suas expressões: feliz, triste, orgulhoso, aborrecido, assustado. foi um exercício muito engraçado porque cá em casa, à excepção do espelho pequeno da casa-de-banho onde eles não chegam, não temos espelhos. depois desenharam como se sentiam: felizes, os dois. usámos plasticina para fazer caras felizes, tristes e zangadas. foi a primeira vez que o miguel acompanhou tudo, do princípio ao fim.
depois partilho as outras actividades que fizemos esta semana.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

estes dias.

 
eles não são os melhores a jogar às escondidas. primeira vez na piscina. ela dormiu no carro.
 
um abraço. a carinha dela. à espera da aula de ginástica.
 
uma sesta. ele queria ver a prima.

 
visitámos o meu pai no trabalho.
 
fomos ao babyshower da minha sobrinha eva.
 
ela gosta de aprender. eu gosto do meu sítio.
 
[o meu sítio. posso viver em muitas casas: este vai ser sempre o meu sítio. o sítio da minha infância. o sítio onde eu cresci. fui tão feliz nesta casa, neste terraço. onde jogávamos ao macaquinho do chinês. à mamã dá licença. ao anel. onde saltávamos ao elástico. à bota botilde. onde a minha mãe se sentava no chão a fazer-nos pompons. onde trocávamos folhas de bloquinhos com desenhos de ursinhos amorosos que cheiravam a morango. e depois subia as escadas com a minha mão a deslizar pelas centenas de pedrinhas que estavam coladas à parede: o 3º andar que me parecia tao perto, a minha casa que me parecia tão grande. os meus pais juntos que me pareciam inseparáveis. eu que conseguia sempre o impossível. eu que nunca me cansava. eu: as minhas mãos pequeninas, a minha imaginação tão grande. levei os meus filhos ao meu sítio. eles correram felizes pelo terraço. passaram quase 20 anos: tenho cada pedra daquele terraço guardada na minha memória. lembro-me: e tem cheiro. e tem vozes. e tem sorrisos. vi-me neles: a correr para trás e para a frente. a dar gargalhadas. a cair e a levantar-me. eu ali: pequenina. senti a maior paz. felicidade. fui tão feliz ali. sou feliz hoje: nunca vou ser feliz como fui no meu sítio. este é o valor de uma infância: passa depressa, nunca se esquece.]
 
a árvore da senhora caíu.
[e a árvore caíu.
chegámos ao parque e ela espantada perguntou o que é que tinha acontecido. a árvore caíu. a senhora vai ficar triste? perguntou ela. se calhar vai ficar um bocadinho. ela aproximou-se da árvore enquanto repetia baixinho "oh não. oh não". achei que fosse chorar. conheço-a bem: achei que fosse fazer beicinho e ficar com lágrimas nos olhos. como fica quando vê um pombo morto na estrada. ou o cão do vizinho que só tem 3 patas. mas ela virou-se depressa e disse: precisamos de muitas pessoas para te ajudar. e fita-cola.]

ele veste a roupa dela.ela dorme longas sestas. hipopótamo. almoço no parque. gelados.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

a nossa escola em casa.

começámos a escola em casa esta semana.
segunda-feira: amarelo. actividades: procuraram objectos amarelos numa caixa que enchi de tralha, brincaram com plasticina amarela, a maria fez uma ficha. ensinei-lhes a canção do manel que perdeu a bola e cantámos enquanto, sentados no chão, passámos a bola amarela entre nós. depois dançámos numa roda. fomos ao mercado e no caminho apontámos todas as coisas amarelas que vimos. comprámos limões e bananas. fizeram limonada. ela quis fazer a actividade do miguel: enfiar cheerios em esparguete. [não gosto muito de fazer actividades com comida, mas neste caso não houve desperdício porque voltaram para a caixa]
terça-feira: fomos passear com o pai.
quarta-feira: aprenderam os números do 1 ao 5. a maria fez uma ficha e colocou o número certo de  palhinhas em rolos de papel higiénico vazios. cantámos o balão do joão e a bola do manel.
quinta-feira: aumentámos o vocabulário sobre as coisas que temos em casa. desenhei as divisões da nossa casa e ela cortou [do catálogo do ikea] e colou o que achava que pertencia a cada divisão. foi provavelmente a manhã mais divertida, a que ela gostou mais.
sexta-feira: ela aprendeu as estações do ano e o tempo  [o baralho de cartas que encontrei numa loja chinesa é muito útil por isso resolvi fazer mais sobre outros temas], relacionou objectos com as estações adequadas, pintaram [ela o outono, o miguel possivelmente um tornado] e praticámos com a tesoura seguindo linhas rectas e curvas. ela escolheu de vários papéis que eu cortei os que se pareciam com estados do tempo e colou-os numa cartolina [e ainda desenhou o vento].
a rotina tem sido mais ou menos a mesma: eles acordam às 7h30 e bebem o leite a ver o ruca e depois brincam enquanto eu adianto as tarefas domésticas. visto-os e organizo tudo. às 9h começo as actividades. às 10h vamos para o parque onde eles brincam com os meninos até às 11h30. esta semana o pai folgou na 3ª feira o que faz com que as coisas não possam ser sempre certas, por essa razão vou fazer actividades também ao fim-de-semana para que eles possam aproveitar ao máximo os dias com o pai em casa. às vezes aparece um bocadinho de falta de confiança: estarei a ensinar da maneira certa ou não, estarei a ensinar o que importa? talvez com o tempo desapareça. a plasticina tem sido a grande aliada: entretém o miguel sempre que estamos a fazer alguma coisa que ele ainda não consegue ou não gosta. a maria tem gostado bastante. tem muito jeitinho com a tesoura, continua a baralhar as cores todas [agora aponta sempre o amarelo na rua, por isso talvez ensinar uma a uma não seja má ideia]. chama-me professora mamã: "miguelito faz o que a professora mamã diz, está bem?". diz sempre obrigada quando eu digo "acabámos". apetece-me sempre apertá-la. e aperto.



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

eles.

ela não é assim. ela é calma. ela não bate, não levanta a mão. ela não se atira ao chão, não esperneia. ela empresta. ela não me desafia, não grita comigo. ela caminha ao meu lado. ele é diferente. ele grita. ele atira as frustrações contra a parede. ele insiste. ele olha para mim com um sorriso disfarçado enquanto eu ralho com ele. ele caminha à minha frente. e às vezes ele bate-lhe. e ela, que não bate de volta, chora. ela diz-lhe que é amiga dele. ela diz-lhe que fica triste. ela abraça-o com força enquanto ele continua a bater-lhe nas costas. e às vezes vamos passear e ele aceita dar-lhe a mão. ele deita a cabeça no colo dela. ele beija-a. ele abraça-a sem ela pedir. e ela chama-me baixinho. ela sussurra: mamã, olha. mamã: viste? uma vez ela disse-me que gostava tanto dele que o queria apertar assim: contra o peito, com muita muita força, mas sem o magoar. ela chama-o miguelito. ela explica-lhe os desenhos animados quando acha que ele não percebe. ela brinca com ele no parque quando as amigas dela não o querem deixar brincar. ela não o deixa sozinho. nunca. e depois ele, que caminha destemido à nossa frente, não dorme sem ela. ele chama por ela quando o deito. ele abraça-a enquanto dormem. e quando ela acorda eu mostro-lhe. e a maria, a olhar para a fotografia, de sorriso nos lábios, diz orgulhosa: o miguel gosta muito de mim, não gosta mamã?