segunda-feira, 1 de julho de 2013

o segundo filho.

o dia em que o miguel nasceu foi o dia em que eu me separei da maria pela primeira vez. no dia em que eu acordei e disse "é hoje" havia duas coisas na minha cabeça: que nasça saudável. que a maria não sinta a minha falta. e fomos no carro e chovia e estava trânsito e estava quase. e as dores. e eu, de mão dada com a maria, fingia que estava tudo bem. a maria tinha 17 meses: era o meu bebé. nunca em momento algum daquele dia a maria me saíu do pensamento. quando as dores aumentaram pensei nela, quando disseram que tinha de fazer mais força pensei nela, quando chorei com as dores pensei nela. foi ela que me deu a força que precisava naquele momento. e depois disseram: é um rapazinho. e meteram o menino em cima de mim. e eu chorei. chorei muito. e toquei-lhe. e enchi de amor o peito que ele aqueceu. e sussurei-lhe ao ouvido coisas que só ele sabe. e depois disseram que iamos para outra sala. e o pai foi dizer a todos que era um menino.
e eu fiquei inquieta a pensar na maria.
a minha menina.

quando o miguel nasceu eu já sabia o que era o amor por um filho. quando o miguel nasceu eu não o amava como amava a maria. tinha-lhe um amor pequenino, se pequeno pode ser o amor. era um amor diferente. e se para a maioria das mães isto pode ser estranho para mim fazia todo o sentido. eu já sabia que um dia ia amar o miguel da mesma maneira que amava a maria: total e infinita. eu já sabia que o amor ia crescer. eu sabia que vinha com o tempo. e o tempo não demora. a diferença entre um primeiro e um segundo filho para mim foi esta: eu já sabia que se podia amar ainda mais. mais do que quando está dentro de nós e nos dá pontapés. mais do que quando nasce e é tão pequenino que temos medo de o magoar. mais, sempre mais.
hoje eu amo o miguel assim: daqui ao infinito. tanto quanto o amor permite.
é o meu menino.

o meu menino.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

calor. calor. calor.

calor a mais para mim.
mas gosto de os ver de fralda a passear pela casa.
 


o bolo.

quando a maria fez 2 anos e cantámos os parabéns e cortámos o bolo, ela disse que esta era para o papá. e o papá não estava. mas agora, uns dias antes do pai partir, descongelei o desejo da maria.
e ficou um pedaço a menos de saudade.
 
 

11 dias.

passámos 11 dias com o pai. aproveitámos bem. e quando sabemos que o tempo corre contra nós tudo é mais fácil: as birras são mais fáceis. quebrar a rotina é mais fácil. dizer amo-te é mais fácil.
foram só 11 dias mas aproveitámos bem. e um dia serão muitos mais dias. tantos que nem os vamos conseguir contar.
 

 

 
 
 
 
 



segunda-feira, 17 de junho de 2013

a visita.

esperámos. esperámos. e esperámos. até que um dia não podiamos esperar mais. as saudades eram muitas. eram tantas que já doiam. e então ele comprou um bilhete. esperou o tempo que conseguiu. esperou o tempo que foi possível, mas as saudades eram muitas. tantas que os dias que veio passar connosco não vão ser suficientes. é um amor tão grande que o leva a estar longe de quem ama. um amor que me o faz amar ainda mais. porque eu não conseguia. não era capaz.

e o sorriso dela. a felicidade da maria quando percebeu que iamos buscar o pai.
e depois ele chegou: as lágrimas dele, as gargalhadas dela.
alegria pura. e tão doce.
 
 
 

domingo, 9 de junho de 2013