o dia em que o miguel nasceu foi o dia em que eu me separei da maria pela primeira vez. no dia em que eu acordei e disse "é hoje" havia duas coisas na minha cabeça: que nasça saudável. que a maria não sinta a minha falta. e fomos no carro e chovia e estava trânsito e estava quase. e as dores. e eu, de mão dada com a maria, fingia que estava tudo bem. a maria tinha 17 meses: era o meu bebé. nunca em momento algum daquele dia a maria me saíu do pensamento. quando as dores aumentaram pensei nela, quando disseram que tinha de fazer mais força pensei nela, quando chorei com as dores pensei nela. foi ela que me deu a força que precisava naquele momento. e depois disseram: é um rapazinho. e meteram o menino em cima de mim. e eu chorei. chorei muito. e toquei-lhe. e enchi de amor o peito que ele aqueceu. e sussurei-lhe ao ouvido coisas que só ele sabe. e depois disseram que iamos para outra sala. e o pai foi dizer a todos que era um menino.
e eu fiquei inquieta a pensar na maria.
a minha menina.
quando o miguel nasceu eu já sabia o que era o amor por um filho. quando o miguel nasceu eu não o amava como amava a maria. tinha-lhe um amor pequenino, se pequeno pode ser o amor. era um amor diferente. e se para a maioria das mães isto pode ser estranho para mim fazia todo o sentido. eu já sabia que um dia ia amar o miguel da mesma maneira que amava a maria: total e infinita. eu já sabia que o amor ia crescer. eu sabia que vinha com o tempo. e o tempo não demora. a diferença entre um primeiro e um segundo filho para mim foi esta: eu já sabia que se podia amar ainda mais. mais do que quando está dentro de nós e nos dá pontapés. mais do que quando nasce e é tão pequenino que temos medo de o magoar. mais, sempre mais.
e eu fiquei inquieta a pensar na maria.
a minha menina.
quando o miguel nasceu eu já sabia o que era o amor por um filho. quando o miguel nasceu eu não o amava como amava a maria. tinha-lhe um amor pequenino, se pequeno pode ser o amor. era um amor diferente. e se para a maioria das mães isto pode ser estranho para mim fazia todo o sentido. eu já sabia que um dia ia amar o miguel da mesma maneira que amava a maria: total e infinita. eu já sabia que o amor ia crescer. eu sabia que vinha com o tempo. e o tempo não demora. a diferença entre um primeiro e um segundo filho para mim foi esta: eu já sabia que se podia amar ainda mais. mais do que quando está dentro de nós e nos dá pontapés. mais do que quando nasce e é tão pequenino que temos medo de o magoar. mais, sempre mais.
hoje eu amo o miguel assim: daqui ao infinito. tanto quanto o amor permite.
é o meu menino.
o meu menino.
é o meu menino.
o meu menino.



















