quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

à mesa. [e fora dela]

nos últimos dias recebi algumas mensagens: queriam saber se eles comem tudo o que lhes dou, como é que os faço provar coisas novas, se a hora da refeição não é uma luta que acaba em gritos e lágrimas. nunca dei dicas deste género por aqui: como amamentar, o que lhes vestir, o que eles devem comer. essa nunca foi a intenção deste blogue e eu não posso ensinar muito se ainda estou também eu a aprender. hoje também não vou ensinar nada, vou só contar como faço as coisas por aqui. isto é o que funciona para nós e acho que o segredo é esse: é descobrir o que funciona melhor, o que resulta para a família. eles comem a maior parte das coisas que eu lhes dou, sim. e a hora da refeição não é uma luta. mas, e sei que isto parece errado em muitos sentidos, nós não nos sentamos à mesa todos juntos, todos os dias. e funciona para nós. reduz as frustrações de todos. ele trabalha por turnos, mas a maior parte das vezes está em casa para jantar e, talvez 3 a 4 vezes por semana, comemos todos juntos, sentados à mesa.
de manhã, depois de fazermos as actividades em casa, levo-os à rua. se o sol nos estiver a aquecer enquanto eles correm pelo parque deixo-os ficar até o sino tocar. ao meio-dia voltamos para casa.  raramente faço almoço, só junto coisas. se por alguma razão lhes sirvo o que sobrou do jantar do dia anterior a maria pergunta-me logo porque é que estamos a comer "papa" àquela hora. ao almoço dou-lhes sandes, fruta, legumes, queijo. ou sopa e fruta. o miguel gosta muito de sopa, a maria nem por isso mas come na mesma. às vezes ela pede para almoçar papas de aveia com canela. iogurte com muesli. eles comem sozinhos, levam o tempo deles. isto significa que o almoço me dá quase uma hora livre: arrumo, limpo, organizo. ou bebo um café, tiro o meu tempo: sento-me. às vezes deixo-os a conversar um com o outro, às vezes ligo a televisão. deixo-os trocar entre eles as coisas que preferem, eles comem com as mãos: a fruta primeiro, os legumes depois, como preferirem. não os deixo atirar comida para o chão de propósito, não os deixo dizer que a comida é porcaria. estabeleço os meus limites, escolho as minhas lutas. é esta a melhor forma de os educar? não sei, mas eles comem tudo, ninguém chora: funciona para mim.
à noite comemos com o pai: às vezes pizza, sentados no sofá a ver o shrek. às vezes eles primeiro, nós depois. às vezes comemos jardineira, almôndegas caseiras, peixe grelhado: à mesa, todos juntos. às vezes, sim, o miguel quer sair, a maria não gosta da carne e mastiga-a até a cuspir. nunca insisto, não os obrigo a comer. conto até 10. às vezes acontece. a maior parte das vezes aproveitamos só a oportunidade de comer todos juntos, de mesa posta.
em relação ao que eles comem sou tão flexível como sou com o resto: dou-lhes fruta, legumes frescos, sushi, lentilhas, quinoa e bulgur. também já os levei ao macdonald's. nunca lhes dei marisco, comemos carne poucas vezes por semana. faz-nos bem à saúde e conseguimos poupar mais. eles comem melhor ao almoço. quase todos os alimentos novos que provam são os que sirvo no tabuleiro: sozinhos, sem pressão. ao jantar quanto mais simples melhor: puré de batata com fiambre, massa cozida com esparregado, canja [com arroz] são alguns dos pratos preferidos deles. espero que o que escrevi responda às vossas perguntas. as crianças não são todas iguais. e esta não é certamente a melhor maneira, mas é a nossa.




16 comentários:

  1. Aplausos! A minha família identifica-se em muitas situações, e não devemos ser a única! Gostei particularmente dos pratos das crianças, quadrados e com quatro divisórias, nunca tinha visto e desconhecia. Parabéns pelo post!

    ResponderEliminar
  2. Ainda ontem mostrei ao marido o teu post com o prato dos teus filhos, que me inspira. Cá em casa as refeições são de gritos e de choro. O meu filho mais velho odeia comer, tem vómitos com a sopa, recusa-se a comer legumes, não quer nada, demora séculos, faz dramas e birras e o pequeno que comia bem começa a imitar os disparates do mano. São autênticos momentos de tortura e eu ontem "injevei" os teus pratos com milho, que não comem, com tomate, que não comem, com queijo, que não gostam, com cenouras, que não gostam... E é um desespero. Eles lá vão comendo, jantamos sempre juntos à mesa, mas é rara a refeição feliz. Geralmente sentamo-nos às 19h15/19h30 para ver se às 21 estão a dormir... E adoro ver a boa relação dos teus filhos com a comida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. a milha Filha é igual com a execpçao da sopa, é a unica coisa que come e tenho de lha dar a boca... o resto é um terror, faz birra, puxa o vomito, diz que nao gosta da comida, comer legumes nem pensar... experimentar alimentos novos nem pensar ...As horas das refeiçoes sao tao , mas tao frustrantes... :(

      Eliminar
  3. adorei a parte em que dizes que eles comem com as mãos, e todo esse processo é perfeito, dar-lhes tempo tudo. que maravilha

    ResponderEliminar
  4. Obrigada pelo post!
    Já agora podia dizer onde comprou os pratos com separadoes? são lindos!

    ResponderEliminar
  5. Tenho a certeza que vai haver quem se escandalize com este post. mas, a quem é que isso interessa? é a vossa maneira e funciona e basta olhar para eles para ver que são crianças felizes e saudáveis. Parabéns pelo bom trabalho.

    ResponderEliminar
  6. Engraçado, aqui em casa fazemos as coisas de modo muito diferente e, tirando um stress ou outro normalmente relacionado com o querer sair da mesa, a coisa corre bem. Concordo totalmente quando diz que o importante é cada família encontrar o seu ritmo, acho que as coisas fluem muito melhor quando somos nós próprios!

    ResponderEliminar
  7. Adorei ler este post (e de saber que o meu não é o único a comer com as mãos ^^)! Cada um é como cada qual, e o que resulta para uns não resulta para todos, mas podemos sempre tirar ideias. Eu sou da opinião que: se eu não gosto, não devo obrigar o meu filho a comer, se houver alternativas. Ele comia lindamente a sopa até uns meses atrás. Agora foi para a creche e só come a sopa lá, todinha. Em casa faz uma birra do tamanho do mundo. Mas a verdade é que não me preocupei nada, porque os legumes que não come na sopa, come inteiros. Umas vezes cozidos, outras salteados, outras assados, outras crús. Umas vezes mais, outras menos. Mas come sempre.
    Ainda hoje fizémos uma nova alteração cá em casa. Parece que o piolho fica cheio só de ver a comida no prato e começa a fazer asneiras, então optei por dar-lhe a comida nos nossos pratos de sobremesa (comemos sempre juntos e surgiu-me a ideia de ele gostar de comer em pratos iguais aos nossos) e em pequenas doses de cada vez. Pelo menos até agora resultou, mas queria arranjar-lhe uns pratinhos como o dos seus filhos e experimentar ver se ele gosta da ideia, se não ainda me parte os pratos todos... Onde arranja os seus?

    *vou levar algumas sugestões de refeições comigo. Espero que não se importe.*
    bjs

    ResponderEliminar
  8. Parabéns pelo blog! Adoro ver as suas fotos...como yenho uma bebé vou vendo as imagens e ver que há coisas tão simples para ensinar. Também gostava de saber onde comprou os pratos ;-)
    http://viagemdebbparaangola.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  9. Há muito que sigo o teu blog e adoro. Tens sido um exemplo de mãe a seguir, pelo menos para mim. Sou mãe há 8 meses e tudo aquilo em que eu acredito materializa-se na forma como educas os teus filhos. Parece que o que temos em comum não é só o nosso primeiro nome ;) Se conseguir fazer pelo menos metade daquilo que fazes com os teus filhos vou-me sentir bastante feliz :) Obrigada pelo que fazes, obrigada pela forma como transmites! E parabéns, tens uns filhos lindos!

    http://aviagemmagicadasementinha.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  10. Obrigada pela partilha...
    Eu tb acho que cada família é uma família... e cada criança é uma criança. Ao principio, insegura fazia muitas comparações, o que comia, o que dormia, se se sentava, se fala ou não! Fartava-me de ouvir palpites sobre tudo e mais alguma coisa... Ficava muitas vezes a pensar no que dizia e se nós estávamos a proceder bem... Agora não... Ouço, escuto (ou não) e faço as coisas à nossa maneira. Às vezes resulta, outras não... Acho que com o tempo vou percebendo que desde que ele seja saudável e feliz, estamos bem assim ;)

    ResponderEliminar
  11. o pão cortado com formas de estrela e coração <3 adoro!

    ResponderEliminar
  12. Obrigada! É tão bom quando alguém desmistifica um bocadinho as coisas e nos ajuda a acreditar que mais flexibilidade só traz vantagens! <3

    ResponderEliminar
  13. É isso mesmo e para tudo. cada família funciona de maneira diferente.
    Adoro a sua maneira, humilde de escrever :)

    ResponderEliminar
  14. Vir aqui ler o blog é uma terapia, fico com animo e inspiração para a nova etapa da vida que ai vêm, quem me dera conseguir fazer a minha filha tão feliz como estas duas crianças lindas, dá para ver felicidade em cada expressão nas fotos. É bom ver que não existem regras, rigidez, medos e sim muita felicidade! Adoro!

    ResponderEliminar