terça-feira, 9 de setembro de 2014

estes dias.

 
eles não são os melhores a jogar às escondidas. primeira vez na piscina. ela dormiu no carro.
 
um abraço. a carinha dela. à espera da aula de ginástica.
 
uma sesta. ele queria ver a prima.

 
visitámos o meu pai no trabalho.
 
fomos ao babyshower da minha sobrinha eva.
 
ela gosta de aprender. eu gosto do meu sítio.
 
[o meu sítio. posso viver em muitas casas: este vai ser sempre o meu sítio. o sítio da minha infância. o sítio onde eu cresci. fui tão feliz nesta casa, neste terraço. onde jogávamos ao macaquinho do chinês. à mamã dá licença. ao anel. onde saltávamos ao elástico. à bota botilde. onde a minha mãe se sentava no chão a fazer-nos pompons. onde trocávamos folhas de bloquinhos com desenhos de ursinhos amorosos que cheiravam a morango. e depois subia as escadas com a minha mão a deslizar pelas centenas de pedrinhas que estavam coladas à parede: o 3º andar que me parecia tao perto, a minha casa que me parecia tão grande. os meus pais juntos que me pareciam inseparáveis. eu que conseguia sempre o impossível. eu que nunca me cansava. eu: as minhas mãos pequeninas, a minha imaginação tão grande. levei os meus filhos ao meu sítio. eles correram felizes pelo terraço. passaram quase 20 anos: tenho cada pedra daquele terraço guardada na minha memória. lembro-me: e tem cheiro. e tem vozes. e tem sorrisos. vi-me neles: a correr para trás e para a frente. a dar gargalhadas. a cair e a levantar-me. eu ali: pequenina. senti a maior paz. felicidade. fui tão feliz ali. sou feliz hoje: nunca vou ser feliz como fui no meu sítio. este é o valor de uma infância: passa depressa, nunca se esquece.]
 
a árvore da senhora caíu.
[e a árvore caíu.
chegámos ao parque e ela espantada perguntou o que é que tinha acontecido. a árvore caíu. a senhora vai ficar triste? perguntou ela. se calhar vai ficar um bocadinho. ela aproximou-se da árvore enquanto repetia baixinho "oh não. oh não". achei que fosse chorar. conheço-a bem: achei que fosse fazer beicinho e ficar com lágrimas nos olhos. como fica quando vê um pombo morto na estrada. ou o cão do vizinho que só tem 3 patas. mas ela virou-se depressa e disse: precisamos de muitas pessoas para te ajudar. e fita-cola.]

ele veste a roupa dela.ela dorme longas sestas. hipopótamo. almoço no parque. gelados.

7 comentários:

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  5. Não sei se foi convosco que estive à conversa...mas também escrevi sobre esta árvore :)
    http://overacidade.blogspot.pt/2014/09/queda-de-arvores-e-cidadania-bairro-das.html

    Tem por aqui uma escrita muito bonita!

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