segunda-feira, 1 de setembro de 2014

eles.

ela não é assim. ela é calma. ela não bate, não levanta a mão. ela não se atira ao chão, não esperneia. ela empresta. ela não me desafia, não grita comigo. ela caminha ao meu lado. ele é diferente. ele grita. ele atira as frustrações contra a parede. ele insiste. ele olha para mim com um sorriso disfarçado enquanto eu ralho com ele. ele caminha à minha frente. e às vezes ele bate-lhe. e ela, que não bate de volta, chora. ela diz-lhe que é amiga dele. ela diz-lhe que fica triste. ela abraça-o com força enquanto ele continua a bater-lhe nas costas. e às vezes vamos passear e ele aceita dar-lhe a mão. ele deita a cabeça no colo dela. ele beija-a. ele abraça-a sem ela pedir. e ela chama-me baixinho. ela sussurra: mamã, olha. mamã: viste? uma vez ela disse-me que gostava tanto dele que o queria apertar assim: contra o peito, com muita muita força, mas sem o magoar. ela chama-o miguelito. ela explica-lhe os desenhos animados quando acha que ele não percebe. ela brinca com ele no parque quando as amigas dela não o querem deixar brincar. ela não o deixa sozinho. nunca. e depois ele, que caminha destemido à nossa frente, não dorme sem ela. ele chama por ela quando o deito. ele abraça-a enquanto dormem. e quando ela acorda eu mostro-lhe. e a maria, a olhar para a fotografia, de sorriso nos lábios, diz orgulhosa: o miguel gosta muito de mim, não gosta mamã?


6 comentários:

  1. Não sei como é que fazes... mas a tua maneira de escrever coisas simples do dia-a-dia às vezes deixa-me com lágrimas nos olhos :')

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  2. Que amor tão bonito. Só quero que os meus também sejam assim.

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  3. Lindo, adoro a tua maneira de escrever. Parabéns pelos teus meninos. Acho que os estás a educar maravilhosamente bem.

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