terça-feira, 8 de outubro de 2013

eu, ela e oslo.

estamos todos bem.

já passaram 20 dias desde que chegámos. o tempo em oslo passa depressa. sinto que cheguei ontem. estas semanas têm sido de adaptação. sinto-me mais calma a cada dia, mas sempre que deito a cabeça na almofada ainda me pergunto se fizemos bem. se é isto que nos vai fazer mais felizes.
para mim está a ser mais difícil do que imaginava: é um mundo novo. nunca fui uma pessoa de espírito aventureiro. gosto de me sentir em casa. segura. talvez se este país me fosse mais familiar: a comida, a língua, o dinheiro, o frio. é difícil andar pelas ruas e saber que estamos longe. que não pertencemos aqui. talvez um dia.

na madrugada em que a maria e o miguel foram para as urgências pensei-o pela primeira vez: eles enrolados em mantas a chorar: pensei: quem me dera estar em casa.

a primeira semana foi a mais difícil para a maria. às vezes durante o dia ela desaparecia: encontrei-a sempre no mesmo canto. sentada. pensativa. às vezes falava com ela, chamava-a para brincar. às vezes deixava-a ficar. não faz mal ficar triste.
na primeira semana chorava sem dizer porquê. quando lhe dei os parabéns porque comeu tudo perguntou-me se podia ir brincar com a inês. de manhã quando saímos de casa perguntou-me se podiamos ir ao outro parque. pedia-me bongos, cerelac. perguntou-me se já não tinha triciclo. perguntou-me se podia fazer desenhos com a tia. a primeira semana foi a mais difícil para a maria.

na noite em que ela viu uma fotografia do quarto dela disse-o pela primeira vez: perguntou: já podemos ir para casa?

passaram 20 dias. agora ela já não diz que esta é a casa do pai: é a casa da maria. no parque já não se isola tanto. às vezes imita os meninos a falar e ri-se. corre com os meninos mas ainda não tenta falar com eles. pede muitas vezes para brincar com o mano. apanha folhas e pedras. no parque os meus filhos são os únicos que ficam felizes quando aparece um pombo: lembra-lhes.

eu sei que este é um país onde as crianças crescem mais soltas. felizes. eu sei que o tempo nos vai ajudar a ser assim. mais soltas, mais felizes. eu e ela.

um dia.






11 comentários:

  1. Um abraço de muita força aqui de Portugal, vão ver que não tarda e vão sentir que também fazem parte desse país e vão sentir-se cada vez mais em casa

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  2. Ola Menina :)

    Ja te leio ha muito, muito tempo, ainda a tua Maria nao existia. Depois tu tiveste uma Maria e eu tive uma Dalila, quase ao mesmo tempo. Depois eu tive uma Maria, uma bebe surpresa, e tu tiveste um Miguel, um bebe surpresa, quase ao mesmo tempo. Depois o meu marido saiu do pais a procura de uma vida melhor e eu fiquei, com duas filhas bebes e um quase pre adolescente, sozinha, desamparada, a tentar fazer o melhor que sabia. Depois o teu marido saiu do pais a procura de uma vida melhor e tu ficaste com dois filhos bebes, quase ao mesmo tempo. Depois eu agarrei nos miudos e vim ter com o pai deles ao Dubai, do outro lado do mundo. Depois tu agarraste nos teus filhos e foste ter com o pai deles, quase ao mesmo tempo. O que nos separa agora, para alem de muitos quilometros, e a temperatura. Porque o sentimento e o mesmo. Nao ha nada que pague ver as minhas filhas a saltitarem de volta do pai quando ele chega a casa mas ainda e dificil sentir me em casa. Ainda e dificil, e vai ser sempre, quando a minha Dalila, quase da idade da tua Maria, me pede para ver os avos, os tios. A estranheza dos olhos dela a ver a familia atraves de um ecran de computador. Faz hoje 10 meses que mudamos e ainda me e dificil sentir em casa, mas ja me sinto mais em casa do que sentia ha dez meses. Ha muito que te queria escrever, quando engravidaste do Miguel e tiveste todas aquelas duvidas, ja eu tinha a minha Maria, bebe surpresa, nos bracos e queria ter te dito que era bom. Que ia resolver se. Nao o disse mas agora ja o sabes. Mas nao podia deixar de te escrever neste momento, em que me revejo tanto no que escreves porque ja ai estive. Melhora, melhora sempre. Um beijinho grande.

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    1. boa sorte no Dubai, felicidades.
      e obrigada Daniela!
      Bjs

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  3. Sinceramente, fico muito feliz em saber que vocês (os quatro) estão bem. Pode doer agora toda a saudade, a diferença, as barreiras culturais, a língua! Mas se pensarmos que é para o vosso (pais) melhor e para os vossos filhos terem um futuro mais seguro, mais confortável, mais feliz, tudo valerá a pena. Os portugueses são conhecidos por serem uns camaleões, por se adaptarem a tudo! Se está frio, veste-se mais roupa, se a comida é diferente, o estômago habitua-se... penso que o mais difícil será mesmo a língua. Mas o Miguel é pequenino, depressa aprenderá a nova língua. Obviamente não conheço a Maria mas pelo que descreve dá para perceber que é uma menina muito sociável com os outros meninos. Talvez seja um pouco difícil para ela não compreender o que lhe estão a dizer ou de que jogo estão a falar, mas tudo a seu tempo e ela também falará com os outros meninos e terá amigos. Eu sei que custa, muito, uma dor que está cá dentro e que parece que não nos deixa em paz, mas tudo irá melhorar. Há que ser positivos. Vocês são corajosos, vocês foram à luta por uma vida melhor e irão tê-la! Por cá, estamos todos a torcer por vocês! Para que façam parte do grupo dos portugueses camaleões :)

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  4. Coragem. Vai correr tudo bem :)

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  5. Eu também sou assim, não gosto de mudanças. Deve ser muito difícil, espero que continuem a adaptarem-se a esse "mundo" novo...desejo-vos tudo de bom!

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  6. Torço para que esse dia chegue rápido... :)

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  7. É engraçado...não vos conheço mas estava preocupada com esta ausência, não vos conheço mas fico triste quando estão tristes, não vos conheço mas torço muito(muito mesmo! ) para que sejam muito felizes,
    É engraçado ...afinal é possível gostar sem conhecer ;)

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  8. Obrigada a todos pelas vossas palavras.

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