sexta-feira, 9 de agosto de 2013

uma história triste.

é uma história triste.

uns dias depois do miguel nascer deitei-me na cama a ver televisão. a maria e o miguel estavam a dormir ao meu lado: eram os dois pequeninos. mais pequeninos.
ele estava na sala: ele não me deixava ver este programa. sabe que são histórias que me deixam triste e me fazem chorar. mas naquele dia eu vi. e há histórias que têm este poder: nunca mais as esquecemos.

ela tinha 2 anos.
naquele dia ela deixou cair uma caixa de cereais. o padrasto achou que era o dia em que ela ia ser disciplinada. a mãe concordou. ela foi espancada com o cinto. a cabeça dela foi mantida debaixo de água. ele puxou-a pelos cabelos e atirou o corpo dela contra a parede. eles fizeram isto a esta menina. fizeram isto toda a manhã e toda a tarde: foi espancada durante todo o dia.
ela morreu nos braços da mãe. a mesma que a devia ter protegido. amado.

durante muito tempo não fui capaz de esquecer esta história.
o rosto desta menina.
tive pesadelos. chorei. afectou-me.

e isto foi o mais triste. o que mais me comoveu:

perguntaram à mãe. na entrevista ela estava calma e perguntaram-lhe. nos momentos em que a criança não estava a ser abusada: estava em silêncio? estava quieta? falava?
falava. a mãe disse que ela falava: she kept repeating: i love you mommy, i love you mommy.
um dia inteiro. não foi um acto espontâneo. não foi um momento de loucura. foi um dia inteiro.
e uma criança: dependente. carinhosa. uma criança a ser como as crianças são: bondosas.

passou muito tempo desde que vi esta história: o miguel tinha acabado de nascer.
com o tempo não me lembrei mais. não sonhei mais com ela.
esta manhã ouvi um barulho. perguntei o que é que aconteceu.
e depois vi: a maria deixou cair uma caixa de cereais. lembrei-me.

a maria tem 2 anos.
ela começou a chorar e a colocá-los dentro da caixa.
eu disse-lhe: não faz mal.
ajoelhei-me: abraçei-a.
hoje quando abracei a maria estava a abraçar aquela menina.
a maria limpou a minha lágrima e repetiu: não faz mal mãe.


é uma história triste.

conto-a aqui porque era o que a avó desta menina pedia: contem a história dela.
denunciem maus-tratos. não a deixem ser esquecida. contem a história dela.

o nome dela era riley ann.
esta é a sua história.

http://riley-ann-sawyers.memory-of.com/About.aspx

10 comentários:

  1. estou aqui com as lágriams a correrem, em fio! Sem conseguir que parem.
    Que estória tão triste.
    O António vai fazer dois anos. Os mesmos que a Riley Ann tinha.
    Não consigo imaginar o que vai na cabeça de alguém para fazer uma coisa destas.
    E as lágrimas continuam a correr...

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  2. :'( Posso partilhar este texto aqui? https://www.facebook.com/NaoAosMausTratosInfantis

    Beijo,

    Valentina.

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  3. e já me fizeste chorar

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  4. Nem sei bem o que dizer e acho que nem quero saber mais pormenores, estes bastam

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  5. Fiquei super emocionada...
    é inacreditável como há pessoas tão más neste mundo...

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  6. Muito triste mesmo! :(
    Não se faz! Um pai nunca deveria pensar em tal coisa e uma mãe nunca o deveria permitir!
    Espero que ardam os dois no Inferno!

    (vou partilhar tudinho)

    beijo *

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  7. Estou com lágrimas. Infelizmente não é a única história, outras parecidas aconteceram. Lembrei da Joana, pois li a descrição do que lhe fizeram e também que ela proclamava amar a mãe. Ai! Há pessoas que vão de expresso-rápido para o Inferno!

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  8. Sempre me fez muita confusão a crueldade que o ser humano é capaz de atingir, especialmente contra crianças.

    Este sentimento de incompreensão agudizou-se depois de ter sido mãe. Não consigo conceber como alguém que deveria ser o primeiro a defender, a proteger permite ou faz coisas hediondas como estas.

    O meu coração mirrou mesmo muito quando li isto!! Esta história ficará agora na minha memória também!

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  9. Li agora, soube agora, estou a trabalhar... senti um soco no estomâgo e fui para a casa de banho chorar. Zanguei-me com Deus... qual Deus?
    Por vezes nós pais podemos (não podemos nem devemos mas pode acontece) perder a cabeça e ralharmos, gritarmos e dar uma palmadita no rabo... mas um dia inteiro?!?
    Sou fraca e não vou seguir a notícia, porque o que estes "pais" mereciam... nem digo!

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