quinta-feira, 29 de março de 2012

o mundo na vertical.

há uma boa razão para este blogue não ser actualizado há alguns dias: no mesmo dia em que a maria aprendeu a gatinhar, descobriu que giro é estar em pé. e eu tenho estado colada a ela. a tentar reduzir o número de cabeçadas e bate-cús da principiante. e acreditem que o que esta menina tem de destemida, tem de trapalhona.



quarta-feira, 21 de março de 2012

o primeiro dia do pai.

foi o dia em que eu concordei que ela podia ser do benfica. até ela decidir o contrário.
ele ficou feliz.



os 30.

e fiz 30 anos.
decidi fazer uma festa pequena, discreta. contrariar todos os que me disseram para festejar em grande.
fomos os 3 para o zoo. vimos os elefantes, os chimpanzés e os ursos a chapinhar. a maria gostou das focas, dos papagaios e suricatas. teve um sorriso na cara durante a maior parte do dia. eu comi batatas de pacote, chupa-chupas, andei de mochila às costas. o sol corou-me as bochechas. ganhei prendas e uma sobrinha. a minha irmã, grávida, viu nesse dia que é uma menina. os meus pais, as minhas irmãs cantaram-me os parabéns. e cedo me juntei à maria na cama, porque me doíam os pés de passear.
pois parece que afinal festejei em grande.

e que bem que ficámos os 3 nesta.





quarta-feira, 14 de março de 2012

mãe.

às vezes esqueço-me de que tudo o que eu faço por ela a minha mãe já fez por mim.

segunda-feira, 12 de março de 2012

domingo.

ontem o pai foi à pesca. de madrugada lá foi ele para o alto mar com os amigos. quando a maria acordou às 8 da manhã fiquei a pensar como seria aborrecido ficarmos em casa num domingo cheio de sol, por isso preparei a lancheira, reuni brinquedos e enfiei a manta na mochila. e depois a aventura que é sempre andar no metro com um carrinho de bebé. ainda não eram 10 horas quando chegámos ao jardim da estrela. andámos de baloiço, vimos os patos, brincámos na relva, almoçámos num banco do jardim. e depois ela dormiu a sesta, eu li uma revista e comi um gelado. e depois repetimos. às vezes por estar sempre em casa com ela os dias passam e não fazemos mais do que andar aqui pela rua, ir às compras. ontem percebi que às vezes os dias são mais fáceis para as duas quando fazemos coisas diferentes. às 21h30 estávamos as duas na cama, perdidas de sono, mas vamos aproveitar o sol e repetir mais vezes. foi um bom domingo para nós. e para o pai também, que trouxe do mar o peixe e um escaldão no nariz. 

o



quinta-feira, 8 de março de 2012

o meu bairro.

passou um ano desde que saímos do bairro alto. morar no bairro alto foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida porque acabou por ser uma experiência muito positiva. nunca vou esquecer. sei que dificilmente regresso, mas se pudesse seria o sítio que escolheria para viver até ao fim. apesar da confusão, do barulho. o bairro existe para lá da noite.
não é definitivamente o sítio ideal para se viver com um bebé, mas no dia em que saí de lá com as memórias em caixas e um barrigão de 7 meses, chorei horas a fio. e sempre que lá passo fico com um nó na garganta. no dia em que fez um ano levámos lá a maria, para ela conhecer o 97 da rua da barroca, onde foi planeada e concebida. ela sentiu-se tão em casa que adormeceu.


 



domingo, 4 de março de 2012

e vão 10.

e ontem a maria fez 10 meses. dez! e lá fomos os 3 festejar a data de mais um dia especial em que não paramos de repetir "parece que foi ontem". fomos meio ressacadas porque, com mais um dente a sair, ela não dormiu bem. desta vez fomos pintar com tintas feitas de legumes e, se ao início a maria não alinhou muito na ideia de sujar as mãozinhas, depois entrou tanto no espírito que até tinta de espinafres comeu. eu fiquei mais suja que ela e adorei.
no regresso fomos a semear farinha por todo o lado, principalmente no carro do pai.
e depois dormiu todas as horas que não dormiu durante a noite.
acho que se divertiu.








a obra-prima da Maria.

sexta-feira, 2 de março de 2012

a barriga.

eu nunca me senti tão bem como quando estive grávida. muitas mulheres o dizem e comigo foi igual.
quando eu andava na faculdade sentia-me bem: ia todos os dias ao ginásio, usava cremes, maquilhagem, dedicava todo o tempo do mundo a arranjar o meu cabelo. mas muitas vezes não me sentia segura. quando estava grávida essa foi a diferença: engordei 18 quilos, só tinha meia dúzia de peças de roupa que me serviam e sentia-me fantástica. sentia-me confiante, bonita e importante. as pessoas que estavam à minha volta também me faziam sentir assim, mas a maioria vinha de dentro. e assim como a barriga, também esta sensação foi crescendo. durante a noite quando ia atacar o frigorifico, lembro-me de ficar a admirar a barriga. o meu reflexo na janela ali só iluminado pela luzinha do frigorífico. adorava. estava tão grande. essa foi na verdade a minha altura favorita: a altura em que só faltava um mês e, por estar tão perto de a ter, decidi despedir-me aos poucos da minha barriga. a minha grande e redonda barriga.
ao longo de toda a gravidez tirei muitas fotografias à barriga. fotografias a cada semana, com mensagens escritas a baton, de lado, de frente, centenas.
eu quero ter mais filhos, mas digam o que disserem, eu sei que vai ser diferente. também vai ser especial, mas a magia não vai ser a mesma. porque não vai ser a primeira vez, porque não vai ter o encanto da novidade, da expectativa, do desconhecido. mas acredito que aproveitei bem a minha gravidez.







esta é especial porque foi a última. as águas rebentaram pouco tempo depois.